O que a ciência notou sobre a gratidão depois da ayahuasca

Quando alguém vai consagrar a medicina da ayahuasca pela primeira vez, a pergunta que mais aparece é sempre a mesma: “será que eu vou vomitar?”
É uma pergunta real, e muita gente passa por isso. Só que existe outra, que quase ninguém faz, e que talvez seja a mais importante: “será que eu vou sentir gratidão?”
Quem já viveu uma experiência profunda sabe do que estou falando. Em algum momento chega uma sensação difícil de explicar, um amor que não pede nada em troca e uma vontade enorme de agradecer, até pelo que doeu. Foi pensando nisso que fui procurar: será que a ciência já olhou para a gratidão de quem passa pela ayahuasca? Olhou. E o que apareceu conversa muito com o que a nossa casa ensina.
O que os pesquisadores notaram
Em 2024, pesquisadores acompanharam 54 pessoas durante uma temporada de cerimônias de ayahuasca na Costa Rica (Aday e colegas, Journal of Psychoactive Drugs). Cada uma participou de 2 a 7 cerimônias. Antes das cerimônias, uma semana depois e um mês depois, elas responderam a um questionário que mede o quanto a pessoa valoriza a vida: agradecer pelo que tem, viver o momento presente, sentir encantamento.
O resultado: a gratidão das pessoas estava bem maior depois das cerimônias. E um mês depois, ela não tinha caído. Continuava lá.
O que fez a diferença
O mais interessante vem agora. A gratidão cresceu mais nas pessoas que tiveram uma experiência mais profunda, daquelas com a sensação de algo sagrado e muito encantamento. Já o número de cerimônias não fez diferença: quem participou de 2 e quem participou de 7 não ficou com mais gratidão por causa disso.
Os próprios autores resumem assim: o que importa é a qualidade da experiência, e não a quantidade.
Outro estudo, bem maior, ouviu 6.877 pessoas que já tomaram ayahuasca, em mais de 40 países (Perkins e colegas, Frontiers in Pharmacology). Ele encontrou ligação entre o contexto da cerimônia, como ela é conduzida, o apoio que a pessoa recebe e o motivo pelo qual ela foi, e os resultados de bem-estar e saúde mental. É um questionário respondido uma vez só, então mostra uma relação e não prova que um fator causa o outro.
Se a qualidade importa, o que cerca a experiência importa
Uma revisão de 2021 sobre ayahuasca e outros psicodélicos (Eleftheriou e Thomas, Frontiers in Psychiatry) aponta que a preparação, a condução e a integração moldam a experiência. Integração é o que a pessoa faz depois da cerimônia para entender o que viveu e levar isso para a vida. A mesma revisão conta que as reações difíceis costumam ser atribuídas a um contexto sem apoio.
Isso bate com o que a gente ensina na nossa casa: a medicina é sagrada, mas, para a experiência ser sagrada de verdade, o ambiente, a condução e o direcionamento também precisam ser. Por isso, antes de qualquer cerimônia, a gente faz uma triagem para ver se a pessoa tem saúde e condições de consagrar a medicina. A responsabilidade vem antes de tudo.
O que a MahaGi ensina sobre gratidão
Agora uma coisa que vem do ensinamento e da metodologia da Xamã MahaGi Wahbe, e não de estudo. Ela costuma dizer:
Sem gratidão, os mais ricos são miseráveis. Com gratidão, os mais pobres são ricos.
Em uma das meditações guiadas dela, a pessoa fecha os olhos e agradece ao próprio corpo, até às menores partes dele, chegando com carinho e não com cobrança: “Meu querido DNA, vim te visitar, como eu te amo!”
A gratidão que a ayahuasca desperta pode ser cultivada nos dias seguintes, como um processo que a gente segue fazendo, dia após dia. É isso que a nossa casa ensina: um convite à prática, e não uma promessa de resultado.
Para não tirar conclusões apressadas
O estudo da gratidão não teve grupo de comparação, acompanhou as pessoas por só um mês e aconteceu num centro de cerimônias, onde o próprio ambiente pode ter ajudado. Os estudos mostram ligações, e não provam que a ayahuasca “causa” tudo isso sozinha. Nenhum deles mediu mudança no DNA. E nada disso substitui acompanhamento médico ou psicológico.
O que dá para dizer com segurança é isto: a gratidão apareceu, ficou, e foi maior em quem viveu a experiência com mais profundidade. E se a profundidade importa mais do que a quantidade, o cuidado com quem conduz e com o lugar onde acontece deixa de ser detalhe.
E você, qual foi a primeira coisa pela qual sentiu gratidão depois da sua experiência com a ayahuasca?
Estudos citados
- Aday et al. (2024). Gratidão antes e depois de uma temporada de cerimônias de ayahuasca. Journal of Psychoactive Drugs.
- Perkins et al. (2021). Contexto da cerimônia e bem-estar, em 6.877 pessoas de mais de 40 países. Frontiers in Pharmacology.
- Eleftheriou e Thomas (2021). Revisão sobre preparação, condução e integração. Frontiers in Psychiatry.
O próximo passo
Espelho da Alma
A cerimônia individual de ayahuasca, só sua, com acompanhamento antes, durante e depois. Quem te recebe é a nossa guardiã, com 10 anos de experiência.
Experiência espiritual. Não substitui acompanhamento médico ou psicológico.
A Expansão Infinita não vende nem envia medicina. O uso da ayahuasca aqui é exclusivamente religioso, conforme a Resolução CONAD nº 1/2010.
Expansão Infinita · com os ensinamentos da Xamã MahaGi Wahbe